Presidente do Paraguai, Santiago Peña anuncia renúncia em meio à crise do Ueno Bank
Decisão foi comunicada em vídeo nesta quinta-feira (5), enquanto deputados discutiam a abertura de um processo de impeachment contra o chefe do Executivo
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que decidiu renunciar ao cargo. A declaração foi feita em um vídeo divulgado nas redes sociais, em meio à crise financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank, que deixou milhões de clientes sem acesso às próprias contas.
No pronunciamento, Peña afirmou que a decisão foi motivada pela necessidade de preservar a estabilidade do país, a paz social e as instituições democráticas. O presidente também pediu desculpas à população caso tenha falhado durante o mandato, mas não assumiu responsabilidade direta pela crise bancária.
“Decidi apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, declarou.
O pedido de renúncia ainda precisa ser analisado pelo Congresso paraguaio. Caso seja aceito, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir a Presidência.
Crise bancária e pressão política
A decisão ocorre após o agravamento da crise envolvendo o Ueno Bank, instituição financeira que teve suas operações atingidas por uma intervenção do Banco Central do Paraguai, em 2 de novembro. A medida foi adotada depois que a autoridade monetária identificou o descumprimento de requisitos mínimos de solvência.
A crise afetou aproximadamente 3 milhões de clientes, que ficaram sem acesso às contas. O banco também administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo depósitos de fundos de pensão e de saúde.
O episódio provocou protestos e ampliou a pressão sobre o governo. Na quarta-feira (4), 35 deputados apresentaram pedidos de impeachment contra Peña e o vice-presidente Pedro Alliana. Parlamentares da oposição apontaram possíveis conflitos de interesse, uso indevido de recursos de fundos de pensão e falhas na condução da crise.
Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, até março de 2025. A relação com a instituição passou a ser questionada após a intervenção do Banco Central. O Ministério Público também investiga possíveis irregularidades relacionadas ao banco, e oito dirigentes e ex-dirigentes foram detidos.
O que acontece agora?
A renúncia anunciada por Peña depende de aprovação do Congresso. Se confirmada, o vice-presidente Pedro Alliana deverá sucedê-lo. Pela Constituição paraguaia, ex-presidentes que deixam o cargo sem serem destituídos podem assumir uma cadeira de senador vitalício.
Peña assumiu a Presidência em agosto de 2023, pelo Partido Colorado, e tinha mandato previsto até 2028.



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