Justiça condena mãe a mais de 41 anos de prisão por matar filho de 1 ano e 9 meses
Após mais de 13 horas de julgamento, Eduarda Luiza Martins Mello foi condenada a 41 anos, 6 meses e 21 dias de prisão pelo assassinato do próprio filho, Pedro Benjamin Gonçalves de Mello, um bebê de apenas 1 ano e 9 meses. O julgamento aconteceu na última quinta-feira (17), no Tribunal do Júri de Goiânia.
O Conselho de Sentença acatou a tese do Ministério Público de Goiás (MPGO), que sustentou que o crime foi cometido de forma cruel, com impossibilidade de defesa por parte da vítima. A promotora de Justiça Renata de Oliveira Marinho e Souza conduziu a acusação, pedindo a condenação integral da ré, o que foi aceito pelos jurados.
A defesa de Eduarda negou a autoria e tentou desclassificar o crime para lesão corporal seguida de morte, mas a estratégia não convenceu o júri.
Sinais de agressão antes da morte
Pedro Benjamin já havia sido levado ao Instituto Médico Legal (IML) dias antes de morrer, com sinais evidentes de agressões físicas. Os exames indicaram múltiplas lesões e fraturas, ocorridas em momentos diferentes. Após essa avaliação, a criança foi temporariamente entregue à avó paterna, mas acabou sendo devolvida aos pais por decisão da própria avó, sem autorização judicial.
Horas depois de retornar à casa dos pais, Pedro foi encontrado desacordado por uma vizinha. O menino apresentava evidentes sinais de espancamento. Equipes de resgate foram acionadas, mas, apesar das tentativas de reanimação, ele não resistiu e teve a morte confirmada no Hospital e Maternidade Célia Câmara, no Conjunto Vera Cruz 1.
Relatos de negligência e violência
Segundo testemunhas, a criança teria sido deixada sozinha em casa enquanto os pais estavam em um bar consumindo bebidas alcoólicas. Moradores relataram ainda que o menino chorava muito durante a madrugada e, ao retornarem para casa, os pais o agrediram violentamente.
O laudo de necropsia confirmou que Pedro morreu em decorrência de politraumatismo, causado por espancamento. A versão apresentada inicialmente pelos pais — de que o menino teria sido atingido pela queda de um guarda-roupa — foi descartada pelos peritos do IML.
Situação do pai ainda será julgada
O pai de Pedro também foi denunciado pelo Ministério Público e teve sua participação reconhecida pela Justiça. Ele chegou a ser preso em flagrante no dia 13 de dezembro, acusado de homicídio qualificado. No entanto, seu julgamento ainda não ocorreu, pois aguarda análise de um recurso apresentado pela defesa no Tribunal de Justiça de Goiás.
Já a mãe, Eduarda, foi detida no dia seguinte em Aparecida de Goiânia, chegou a ser liberada após audiência de custódia, mas foi novamente presa dias depois. Agora, ela cumprirá pena em regime fechado.



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