PF aponta que Willer Tomaz pagou R$ 9 mil para remover links de notícias sobre relação com Flávio Bolsonaro

Documentos apreendidos indicam que advogado contratou serviço para retirar ou desindexar 12 links; defesa afirma que medida foi uma ação judicial contra o Google

Mensagens e documentos apreendidos pela Polícia Federal (PF) indicam que o advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pagou para remover ou desindexar links de reportagens que relacionavam os dois. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo e repercutidas pelo Mais Goiás nesta quarta-feira (21).

Segundo relatório da PF, conversas encontradas no celular do advogado mostram negociações com um serviço especializado em reputação digital, identificado como “Seu Nome Novo de Novo”. Uma planilha apreendida lista 12 links de notícias e registra que os conteúdos teriam sido removidos.

As mensagens, enviadas em outubro de 2025, indicam que o valor inicialmente previsto era de R$ 12 mil, considerando R$ 1 mil por link. Após uma negociação que levou em conta uma cobrança anterior, o preço final teria sido reduzido para R$ 9 mil.

Entre as reportagens listadas estavam conteúdos sobre uma disputa envolvendo um imóvel de luxo e notícias relacionadas à presença de Flávio Bolsonaro em cassinos e reuniões com empresas do setor de jogos em Las Vegas, nos Estados Unidos. Os links não estavam acessíveis quando foram consultados pelos jornalistas.

O que diz a defesa

Em nota, Willer Tomaz afirmou que a iniciativa consistiu em uma ação judicial contra o Google para desindexar conteúdos antigos e desatualizados, e não em uma tentativa de retirar reportagens diretamente dos veículos de comunicação.

A defesa também negou que o advogado tenha buscado esconder sua relação de amizade com Flávio Bolsonaro e questionou a pertinência da análise desses conteúdos no contexto da investigação. Tomaz classificou a apuração como uma “pescaria probatória com fins eleitorais” e afirmou que poderá adotar medidas judiciais contra publicações que, em sua avaliação, distorçam os fatos.

Flávio Bolsonaro não comentou especificamente o episódio. Anteriormente, o senador classificou o inquérito como “fake news”.

Investigação no STF

O caso integra uma investigação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A apuração envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas a plataformas de apostas esportivas, conhecidas como bets.

De acordo com a PF, a análise de mensagens, e-mails e outros dados apreendidos apontou vínculos entre Tomaz e o senador, levando o caso ao Supremo. Os investigadores também apuram possíveis conexões entre empresas, plataformas de apostas, instituições de pagamento e agentes políticos.

As informações divulgadas fazem parte de uma investigação em andamento e não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre a prática de crimes pelos envolvidos.

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