Grupo pede ao MPF investigação sobre posse de imóvel de luxo por Flávio Bolsonaro

Representação aponta possíveis indícios de advocacia administrativa em processo envolvendo propriedade que era ocupada pela família do jogador Richarlison, em Angra dos Reis

O coletivo Derrubando Muros encaminhou uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) para solicitar a investigação do processo que concedeu ao senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, o direito de ocupação de um imóvel de luxo em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro. A propriedade era anteriormente ocupada pela família do jogador Richarlison, atacante do Tottenham.

O grupo aponta possíveis indícios de advocacia administrativa, prática que consiste no uso da função pública para beneficiar interesses particulares. A iniciativa é apresentada como uma defesa do patrimônio da União, uma vez que o terreno pertence ao governo federal, embora o direito de ocupação tenha sido objeto de disputa judicial.

Segundo Richarlison, ele e seus parceiros investiram cerca de R$ 10 milhões na propriedade. O jogador afirma que, após se recusar a vender o imóvel a Flávio Bolsonaro, perdeu o direito de ocupação em meio a uma disputa judicial.

De acordo com o relato do atleta, o senador e o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, teriam solicitado diretamente à Secretaria do Patrimônio da União (SPU) a regularização do imóvel em favor do parlamentar. O coordenador do coletivo, José Cesar Martins, afirma que a decisão administrativa ocorreu rapidamente, enquanto a situação anterior aguardava análise.

A disputa pelo imóvel se arrasta desde 2020. Em 2022, a empresa M Locadora, representada por um advogado associado a Tomaz, moveu uma ação de reintegração de posse. A Justiça do Rio de Janeiro extinguiu o processo em outubro de 2025, sem julgamento do mérito, e o caso foi arquivado em janeiro de 2026.

Flávio Bolsonaro já negou irregularidades e afirmou manter apenas uma relação de amizade com Willer Tomaz. O empresário, por sua vez, sustenta ter adquirido legalmente os direitos sobre o terreno e afirma ter desembolsado R$ 5 milhões para regularizar pendências fiscais.

A representação do coletivo não busca beneficiar diretamente nenhuma das partes, mas pede que sejam apuradas eventuais irregularidades envolvendo a destinação de um bem público.

Até o momento, o pedido de investigação não representa uma conclusão sobre a ocorrência de crimes. A apuração dependerá da análise das autoridades competentes.

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