Primeira explosão nuclear criou cristal que não deveria existir na Terra

Um cristal considerado “impossível” por cientistas foi identificado em fragmentos formados durante a primeira explosão nuclear da história, realizada há mais de 80 anos no deserto do Novo México, nos Estados Unidos. A descoberta ocorreu em materiais produzidos pelo teste Trinity, marco inicial da chamada Era Atômica.

O mineral foi encontrado em uma formação conhecida como trinitita, substância vítrea criada após a explosão nuclear de 16 de julho de 1945. O teste, liderado pelo laboratório de Los Alamos sob coordenação de Robert Oppenheimer, utilizou um dispositivo de implosão de plutônio chamado “Gadget”.

Segundo pesquisadores, a explosão — equivalente a 21 quilotons de TNT — gerou condições extremas de temperatura e pressão capazes de criar estruturas minerais nunca vistas na natureza. A detonação vaporizou uma torre metálica de 30 metros, equipamentos de cobre e parte do solo do deserto Jornada del Muerto, próximo à cidade de Socorro.

O geólogo Luca Bindi, responsável pelo estudo publicado na revista científica PNAS, explicou que a equipe identificou um clatrato inédito de silicato de cálcio e cobre — uma estrutura cristalina extremamente rara, formada em condições praticamente impossíveis de reproduzir por métodos convencionais.

Os cientistas afirmam que esse tipo de cristal normalmente exige ambientes altamente específicos para se formar, algo que só ocorreu por alguns instantes durante a explosão nuclear. Com temperaturas superiores a 1.500 °C e pressões intensas, os átomos presentes na trinitita acabaram assumindo configurações incomuns ao resfriarem rapidamente.

A descoberta amplia o entendimento sobre os efeitos físicos e químicos produzidos por explosões nucleares e revela como eventos extremos podem criar materiais inéditos na Terra.

Comments

Be the first to comment on this article

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Go to TOP