Inflação muda rotina dos brasileiros e impulsiona compras em atacadistas

A inflação tem transformado os hábitos de consumo dos brasileiros, e em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital goiana, a realidade não é diferente. Segundo levantamento da Brazil Panels Consultoria em parceria com a Behavior Insights, 41,8% dos consumidores passaram a comprar em atacadistas como forma de driblar os altos preços, principalmente dos alimentos.

A pesquisa, realizada entre 11 e 23 de março de 2025, com 1.056 entrevistados de todo o país, revelou que 95,1% notaram aumento no custo de vida, e 97,2% apontaram a disparada dos preços dos alimentos no último ano.

Menos carne, menos café e menos fartura

Moradora do Setor Garavelo, a atendente Jussara Ribeiro, de 42 anos, exemplifica a mudança de comportamento: “Parar de comprar carne vermelha foi uma das primeiras decisões. Só compramos frango quando tem promoção. Até o café virou item de luxo”, contou ao Diário de Aparecida.

Ela está entre os 50,5% que deixaram o azeite de lado, os 46,1% que cortaram a carne bovina e os 34,6% que abriram mão do café, segundo o estudo. Para o economista João Henrique Lopes, a mudança reflete o esforço das famílias para manter o básico. “A ida ao atacado mostra uma adaptação necessária diante do aperto no orçamento. É uma resposta prática à perda de poder de compra e um retrato claro da desigualdade inflacionária atual.”

Alternativas para enfrentar a alta de preços

Além dos atacadistas, 17,4% dos consumidores passaram a comprar em mercadinhos de bairro, 5,2% em feiras livres, enquanto 33,4% mantiveram o local de compras habitual. Em busca de economia, o técnico em informática Lucas Mesquita, 29, centralizou as compras no setor Campinas, em Goiânia. “Faço as compras para mim, minha mãe e minha sogra no atacado. A gente divide os produtos e paga menos. Mesmo assim, cortamos muita coisa — queijo, ovos, frutas, leite…”

A alimentação é apontada como o setor mais afetado pela inflação, segundo 94,7% dos entrevistados. Para especialistas, a redução na variedade e qualidade dos alimentos pode causar impacto direto na saúde pública.

O que a população espera

Entre as medidas mais esperadas para conter a inflação, destacam-se:

  • Redução de impostos sobre alimentos (61,6%)
  • Controle de preços (55,6%)
  • Reajuste do salário mínimo (35,6%)
  • Fiscalização contra preços abusivos (25,4%)
  • Redução dos juros (20,7%)
  • Combate à alta dos combustíveis (17,7%)

“O que mais assusta a população não é só o que já aumentou, mas o que ainda pode subir”, alerta Claudio Vasques, CEO da Brazil Panels. “O medo da inflação futura já reduz o consumo hoje.”

Expectativa segue pessimista

Para 65,9% dos entrevistados, o custo de vida vai continuar subindo nos próximos 12 meses. Outros 23% acreditam em alta moderada, 8% esperam estabilidade, e apenas 3,1% têm esperança de queda nos preços.

Segundo especialistas, enfrentar esse cenário exige esforço conjunto entre governo, empresas e sociedade para evitar o comprometimento do consumo básico e o agravamento da crise social.

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