OMS diz que risco global de surto de hantavírus em cruzeiro é baixo, apesar de mortes

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o risco global relacionado ao surto de hantavírus registrado a bordo do navio MV Hondius permanece baixo, apesar das mortes e dos casos graves entre passageiros e tripulantes. Ainda assim, a situação segue sob monitoramento rigoroso de autoridades internacionais de saúde, diante da circulação de pessoas de diferentes nacionalidades e da complexidade do episódio.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou que a entidade atua em cooperação com a operadora do cruzeiro e governos envolvidos para acompanhar os casos, garantir assistência médica adequada e, quando necessário, realizar evacuações.

Até o momento, o surto já deixou vítimas fatais. Entre elas, um casal holandês que havia viajado pela América do Sul antes de embarcar em Ushuaia. O homem morreu poucos dias após apresentar sintomas, e a esposa também não resistiu após agravamento do quadro durante transferência médica. Uma passageira alemã também faleceu após desenvolver febre e pneumonia. Além disso, um passageiro evacuado para Joanesburgo morreu, enquanto outro segue internado em estado grave.

Com o aumento dos casos, passageiros com suspeita da doença foram retirados do navio em Praia e levados para tratamento nos Países Baixos, em uma operação coordenada entre diferentes países, como Reino Unido, Espanha e Cabo Verde. Outro paciente, que retornou à Suíça, permanece isolado no Hospital Universitário de Zurique, enquanto autoridades rastreiam possíveis contatos.

Uma das principais preocupações é a suspeita de envolvimento da cepa dos Andes, uma variante rara do hantavírus que pode ser transmitida entre pessoas. Embora essa forma de contágio seja incomum, a possibilidade eleva o nível de alerta, especialmente em ambientes fechados como embarcações.

O MV Hondius, operado pela Oceanwide Expeditions, transportava cerca de 147 pessoas de mais de 20 nacionalidades. O cruzeiro partiu da América do Sul e passou por destinos como Geórgia do Sul, Tristão da Cunha e Santa Helena antes de chegar a Cabo Verde.

O hantavírus é geralmente transmitido por roedores, por meio do contato com secreções contaminadas, e pode causar doenças graves. Não há vacina nem tratamento específico, e o período de incubação varia de uma a seis semanas. A hipótese inicial é que parte dos infectados tenha contraído o vírus antes do embarque.

Apesar do cenário, a OMS reforça que, no momento, o risco para a saúde pública global é considerado baixo, embora o caso continue sendo acompanhado de perto.

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