Lula defende instituir mandato para ministros do STF
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender, nesta quinta-feira, a criação de mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, a proposta não tem relação com as recentes tensões entre os Poderes após os atos golpistas de 8 de janeiro.
Lula lembrou que a medida já constava no programa de governo do PT nas eleições de 2018, quando Fernando Haddad foi candidato à Presidência. Para o presidente, o tempo de permanência atual na Corte é excessivo.
“Eu acho que nada está livre de mudanças. Durante a campanha do Haddad em 2018, estava um mandato para o STF. Vamos discutir isso, porque não é justo uma pessoa entrar com 35 anos e ficar até os 75, é muito tempo. Eu acho que pode ter um mandato”, afirmou em entrevista ao portal UOL.
O presidente ressaltou, porém, que a eventual mudança depende do Congresso Nacional. De acordo com ele, a discussão deve ocorrer por meio de projeto de lei apresentado na Câmara dos Deputados ou no Senado.
“Esse é um processo a ser debatido com o Congresso, que não tem nada a ver com o 8 de janeiro nem com o julgamento dos envolvidos nesses atos. Estamos confiantes de que, em algum momento, vai surgir algum projeto de mudança — e provavelmente já há propostas tramitando”, disse.
A defesa de mandatos para ministros do STF não é nova no discurso de Lula. Ao longo de sua trajetória política, ele já se posicionou diversas vezes a favor da medida, inclusive durante a campanha presidencial de 2022. Em declarações anteriores, o presidente também já criticou a ideia de que ministros permaneçam por décadas na Corte sem renovação.
Na mesma entrevista, Lula comentou ainda sobre um encontro, fora da agenda oficial, com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, realizado em dezembro de 2024, no Palácio do Planalto. Segundo o presidente, o empresário relatou estar sendo alvo de perseguição.
Lula afirmou que já recebeu representantes de outras instituições financeiras em situações semelhantes e que, nesse caso, chamou integrantes do governo para acompanhar a reunião. “Ele me contou que estava sofrendo uma perseguição. Eu disse que não haveria posição política, nem a favor nem contra o banco Master. O que haverá é uma posição técnica do Banco Central”, declarou.



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