Mulher que fingiu a própria morte para evitar julgamento é flagrada por câmeras de segurança em casamento
Uma mulher fingiu a própria morte para escapar de acusações criminais na Irlanda, mas acabou acumulando ainda mais delitos. Amy McAuley, de 35 anos, deveria ser julgada no Tribunal Criminal do Circuito de Dublin em janeiro de 2023. No dia 4 daquele mês, porém, um falso comunicado de óbito foi publicado no site RIP.ie, plataforma usada para avisos de falecimento.
O anúncio dizia que McAuley havia morrido em 26 de dezembro de 2022, destacando mensagens de luto e informando que seu corpo seria velado em Shankill e cremado após cerimônia na Igreja de Santa Maria, em Lucan. O texto ainda pedia que, em vez de flores, fossem feitas doações à Sociedade de São Vicente de Paulo.
À época, ela respondia por furto e tentativa de fraude, após usar documentos adulterados para obter um empréstimo de € 10 mil em 2018 e tentar, sem êxito, solicitar outro de € 5 mil. Para sustentar a farsa, McAuley chegou a se passar pela própria irmã ao comunicar à polícia que ela havia falecido e apresentou formulários falsificados ao Conselho do Condado de Wexford, que emitiu duas certidões de óbito — uma em inglês e outra em irlandês.
A fraude começou a ruir em meados de 2023, quando investigadores encontraram imagens dela participando de um casamento em Enniscorthy, em junho daquele ano. A polícia também localizou três anúncios de morte diferentes no RIP.ie, incluindo um que afirmava que ela teria morrido na França e outro publicado pela própria McAuley usando a identidade de uma funerária falsa.
Durante o interrogatório, ela disse que não tinha condições de comparecer ao tribunal e que não queria deixar seu filho pequeno sozinho. A investigação revelou ainda que McAuley informou falsamente ao seu empregador que havia morrido, o que resultou em um pedido de indenização por morte em serviço. Fingindo ser sua irmã, ela solicitou que os recursos fossem usados para pagar uma cirurgia do filho — e a empresa acabou liberando € 9 mil.
Após ser descoberta, McAuley declarou-se culpada por uso de documento falso, tentativa de obstrução da justiça, falsificação de laudo médico e outras infrações relacionadas ocorridas entre 2015 e 2023. Ela também admitiu ter usado atestado médico falso na Delegacia de Pearse Street em 2021 e ter tentado cometer fraude em 2018. Outras acusações incluíram cinco furtos e posse de bens provenientes de crime.
A criminosa já tinha quatro condenações anteriores por furto e fraude. Em 2015, recebeu pena de dois anos — suspensa por dez — por roubar quase € 111 mil de um ex-chefe, dos quais apenas € 30 mil foram devolvidos. No mesmo ano, furtou mais de € 55 mil de outro empregador e, em 2021, desviou mais de € 3 mil em celulares da Three Ireland.
O julgamento mais recente resultou em uma pena total de quatro anos, com suspensão dos últimos 12 meses sob condições rigorosas, deixando uma pena efetiva de três anos. Ela deverá ser supervisionada pelo Serviço de Liberdade Condicional por 12 meses após deixar a prisão, e todos os seus relatórios médicos foram disponibilizados ao diretor do presídio.
Segundo sua advogada, Rebecca Smith BL, McAuley sofre de transtorno esquizoafetivo, tem um filho pequeno com problemas de saúde e está grávida do segundo. A defesa alegou que ela viveu por anos em uma “existência caótica”, mas que agora demonstra arrependimento e consciência de que “seu passado voltou para assombrá-la”.



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