Estudo indica que transferência de fezes pode aumentar fertilidade e retardar a menopausa
Um estudo conduzido por pesquisadores da University of Southern California, nos Estados Unidos, e publicado na revista Nature Ageing, aponta que a fertilidade pode ser prolongada por meio de um tipo inovador de transplante. A técnica consiste na transferência de microbiota fecal, ou seja, de bactérias intestinais, de um indivíduo para outro, com potencial de “rejuvenescer” os ovários.
A pesquisa foi desenvolvida por especialistas da área de Gerontologia da universidade e testada em camundongos. Os resultados indicaram que a transferência de microbiota intestinal melhorou a função ovariana dos animais, elevando também seus níveis de fertilidade.
Com base nesses achados, os cientistas sugerem a existência de uma comunicação direta entre os ovários e a microbiota intestinal, relação que pode se modificar ao longo do envelhecimento.
No experimento, as camundongas tiveram inicialmente sua microbiota intestinal eliminada com o uso de antibióticos. Em seguida, receberam transplantes fecais de outras fêmeas, tanto mais jovens quanto mais velhas, com o objetivo de “reconfigurar” o ambiente bacteriano do intestino.
Curiosamente, os animais que receberam microbiota de camundongas mais velhas apresentaram melhor desempenho reprodutivo. Os ovários passaram a exibir características semelhantes às de indivíduos mais jovens, com redução de marcadores inflamatórios e aumento da fertilidade.
Segundo os pesquisadores, esse efeito pode estar ligado ao estroboloma, um conjunto de bactérias intestinais responsável pelo metabolismo do estrogênio e pelo equilíbrio hormonal. Com o envelhecimento, a resposta dos ovários a esses sinais diminui, mas pode ser restaurada com a modulação da microbiota.
Embora os resultados ainda se limitem a testes em animais, os autores acreditam que a manipulação da microbiota intestinal pode, no futuro, influenciar o envelhecimento reprodutivo humano e até retardar a menopausa.
Eles destacam que a menopausa não afeta apenas a fertilidade, mas também está associada a riscos elevados de doenças como osteoporose, diabetes, problemas cardiovasculares e demência. Por isso, estratégias que atrasem esse processo podem contribuir para uma vida mais longa e saudável.
Apesar do potencial, os pesquisadores ressaltam que ainda são necessários estudos em humanos. No entanto, a técnica já é considerada promissora não apenas para a saúde reprodutiva, mas também para a prevenção de outras condições, como insônia, Doença de Parkinson, depressão e até alguns tipos de câncer.



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