Crise no PL em Aparecida expõe dificuldades de Wilder Morais na construção de pré-candidatura
Presidente do Partido Liberal (PL) em Goiás, o senador Wilder Morais articula uma possível candidatura ao Palácio das Esmeraldas nas eleições deste ano, mas o projeto encontra resistências dentro da própria sigla, especialmente em Aparecida de Goiânia. O município, segundo maior colégio eleitoral do Estado e historicamente conservador, atravessa um período de forte enfraquecimento da legenda.
Na cidade, o PL passa por um processo acelerado de esvaziamento político. Dos quatro vereadores eleitos em 2024, três deixaram o partido ainda no fim do ano passado. André Fortaleza, Gleison Flávio e Felipe Cortez se desfiliaram com aval da direção estadual, sob o compromisso de manter apoio a uma eventual candidatura de Wilder ao governo. O cenário, contudo, mudou nos meses seguintes.
Atualmente, os três parlamentares buscam alternativas partidárias que ampliem suas chances eleitorais em 2026, quando pretendem disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. O grupo passou a se aproximar do PSDB do ex-governador Marconi Perillo, adversário histórico do PL em Goiás. André Fortaleza e Gleison Flávio também dialogam com o MDB, avaliando qual legenda oferece melhores condições políticas e eleitorais.
O distanciamento entre os vereadores e a cúpula do PL vem desde a campanha municipal de 2024 e se aprofundou após o pleito. Nos bastidores, as principais queixas envolvem a falta de diálogo, ausência de apoio político e o afastamento da direção estadual do partido, comandada por Wilder Morais.
Com a abertura da janela partidária, prevista para março, a crise tende a se intensificar. O período permite a troca de legenda sem perda de mandato, o que aumenta a expectativa de novas desfiliações e pode agravar a desestruturação do PL em Aparecida.
Entre as possíveis saídas está a do deputado federal Professor Alcides, principal liderança eleitoral do partido no município. Alvo de resistências internas, ele avalia migrar para o PSDB, fortalecendo o projeto político de Marconi Perillo em Goiás. Caso se confirme, a saída representará um duro golpe para o PL local, que já sofre com a perda de vereadores e corre o risco de uma profunda desidratação política.
Hoje, Wilder Morais conta com apenas um aliado formal na Câmara Municipal de Aparecida: o vereador Dieyme Vasconcelos, único remanescente da bancada liberal. Isolado, ele seria o responsável por sustentar a pré-candidatura do senador em um dos principais redutos eleitorais do Estado.
A crise no PL de Aparecida evidencia fragilidades internas da legenda em Goiás e lança dúvidas sobre a capacidade de Wilder Morais de unificar o partido em torno de um projeto majoritário. Para aliados e adversários, o desempenho da sigla no município serve como um termômetro dos desafios que o senador enfrentará na disputa pelo governo estadual.



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