MPGO recomenda afastamento da secretária de Saúde de Morrinhos após irregularidades graves em UTI
Vistoria do Ministério Público aponta medicamentos vencidos, insumos reutilizados e falhas de gestão na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Municipal. UTI está paralisada desde outubro.
O Ministério Público de Goiás (MPGO) recomendou o afastamento imediato da secretária municipal de Saúde de Morrinhos, Náryma Angélica Rabello e Silva Diedam, após identificar graves irregularidades na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal. Segundo o órgão, as falhas constatadas podem configurar crimes contra a administração pública e contra a saúde coletiva.
Uma vistoria realizada pelo MPGO revelou um cenário de má gestão e riscos à segurança dos pacientes. Entre os principais problemas encontrados, estão:
- Medicamentos vencidos: uso de remédios com prazo de validade expirado em pacientes internados;
- Insumos reutilizados: materiais hospitalares reaproveitados e lacrados de forma irregular, com o uso de fita adesiva;
- Falta de documentação: ausência de documentos obrigatórios para o funcionamento da unidade;
- Condutas degradantes: registros de procedimentos e práticas inadequadas com pacientes hospitalizados.
UTI segue paralisada desde 17 de outubro
Devido à gravidade das irregularidades, a UTI do Hospital Municipal de Morrinhos está suspensa desde o dia 17 de outubro, o que resultou na indisponibilidade dos dez leitos de terapia intensiva. A interrupção compromete o atendimento de alta complexidade e representa prejuízo direto aos moradores da cidade, além de configurar desperdício de recursos públicos.
As investigações apontam que a crise foi agravada pela falta de repasse de recursos financeiros. De acordo com o MP, a Prefeitura de Morrinhos deixou de transferir cerca de R$ 440 mil por mês à empresa responsável pela gestão da unidade, o que teria contribuído para a paralisação dos serviços.
Nomeações políticas estão no centro da crise
O Ministério Público também destacou que a crise na saúde municipal teve início após a posse da atual prefeita, Mayellyn Carreiro, que realizou nomeações de caráter político, incluindo a designação da secretária Náryma Angélica.
Para o MPGO, o afastamento imediato da secretária de Saúde é essencial para garantir a transparência nas investigações e possibilitar a adoção de medidas urgentes para restabelecer o atendimento à população, prevenindo a continuidade de possíveis crimes contra a saúde pública.



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