CPMI ouve ex-diretor financeiro apontado como sócio do ‘Careca do INSS’
A CPMI do INSS deve ouvir na próxima segunda-feira (22), a partir das 16h, mais um suposto sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Trata-se de Rubens Oliveira Costa, que havia sido convocado para depor na última quinta-feira (18), mas não chegou a ser ouvido por falta de tempo. Costa ocupou anteriormente o cargo de diretor financeiro nas empresas de Antunes, função hoje exercida por Milton Salvador de Almeida, que prestou depoimento na mesma data e negou qualquer vínculo societário, alegando ser apenas prestador de serviços.
A convocação de Costa foi solicitada em 11 requerimentos na CPMI, entre eles o do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). No pedido (REQ 1856/2025), Gaspar cita empresas ligadas a Antunes das quais Costa seria sócio, incluindo a Acca Consultoria Empresarial, apontada como integrante do esquema de fraudes no INSS. Segundo o relator, Costa também teria participação em sociedades com pessoas que recebiam valores desviados de entidades associativas responsáveis por descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas.
“Em vista disso, descortina-se a direta vinculação de Rubens Oliveira Costa na ‘farra do INSS’, sendo necessário que seja ouvido para que se entenda sua relação com os fatos investigados por esta Comissão Parlamentar Mista de Inquérito”, afirmou Gaspar no requerimento.
Durante seu depoimento na quinta-feira, Milton Salvador disse que sua atuação se limitava ao controle de contas a pagar e a receber das empresas, movimentando em média R$ 10 milhões mensais conforme determinação do “Careca”. Alegou desconhecer os serviços prestados e disse só ter percebido o esquema criminoso quando a Polícia Federal cumpriu mandados no escritório. Após a operação, afirmou ter pedido a Antunes o encerramento imediato de seu contrato de prestação de serviços contábeis. Segundo ele, Antunes mantinha ainda contrato com outra empresa, a Voga, para atividades de contabilidade. Questionado sobre Rubens Costa, confirmou que ele havia sido seu antecessor no cargo de diretor financeiro e que os dois trabalharam juntos por pouco tempo.
Convocado como testemunha, Costa encaminhou documento à CPMI em que, por meio de seus advogados, defendeu que deveria ser ouvido na condição de investigado. O argumento é que, como já existe um pedido de prisão preventiva contra ele, essa condição lhe asseguraria garantias constitucionais, como o direito de permanecer em silêncio para não produzir provas contra si.
O pedido, no entanto, foi rejeitado pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG). Segundo ele, a convocação como testemunha foi uma decisão colegiada e não há previsão regimental, legislativa ou constitucional que permita alterar essa condição.



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